NRF2026

NRF 2026: A Era da Execução: Seus Dados Estão Prontos para Clientes “Não-Humanos”?

Se em edições passadas a NRF (Retail’s Big Show) serviu para nos deslumbrar com o que poderia acontecer em dez anos, a edição de 2026 trouxe todos os executivos de volta ao chão de fábrica, ou melhor, ao chão de dados. Sob o tema “The Next Now”, o evento decretou o fim do hype vazio.

Não se trata mais de previsão, mas de execução.

Para CEOs, CMOs e líderes de tecnologia que acompanharam a maior delegação internacional do evento (a brasileira), o alerta foi direto: o futuro do varejo não é mais sobre quem tem a melhor ideia futurista, mas sobre quem consegue tirar projetos de IA do piloto e gerar ROI mensurável agora.

Aqui na Semantix, analisamos os principais insights da NRF 2026 e traduzimos o que essa virada de chave significa para a sua estratégia de dados e negócios.

1. O Salto da IA: De Chatbots Passivos para Agentes Autônomos

Esqueça os chatbots que apenas respondem perguntas baseados em um script. A grande estrela de 2026 é a IA Agêntica (Agentic AI).

Diferente da IA Generativa (que cria conteúdo) ou da Preditiva (que analisa probabilidades), a IA Agêntica age. Estamos falando de sistemas autônomos capazes de tomar decisões, negociar, realizar compras e ajustar estoques sem intervenção humana, operando 24/7.

Para o varejo, isso é a promessa de redução drástica de atrito. Mas traz um desafio técnico imenso: um agente autônomo só toma boas decisões se for alimentado por dados de qualidade, em tempo real. Se a sua base de dados é um “lago estagnado”, seu agente será ineficiente.

2. Bem-vindo ao B2A (Business-to-Agent): O Seu Novo Cliente é um Algoritmo

Este talvez seja o ponto de virada mais disruptivo discutido em Nova York. Estamos migrando do B2B e B2C para o B2A (Business-to-Agent).

Em um futuro imediato, a decisão de compra de itens recorrentes ou commodities não passará mais pelo crivo emocional de um humano, mas pela análise fria de um assistente pessoal de IA.

  • O cenário: O agente digital do seu cliente varre a web buscando a melhor oferta de reposição de produtos.
  • O problema: Esse agente não “vê” outdoors, não se emociona com storytellings longos e não cai em gatilhos mentais de escassez.
  • A solução: Ele lê dados estruturados.

Se o seu catálogo, preços e APIs não estiverem legíveis por máquina (“machine-readable”), sua marca será invisível. No B2A, o marketing se transforma em uma batalha de SEO algorítmico e integridade de dados.

3. O Fim do Funil Linear e a Crise do “Push”

A NRF 2026 também oficializou o óbito do funil de marketing linear (Atenção > Interesse > Desejo > Ação). O consumidor moderno zigzagueia por canais em loops dinâmicos. Tentar empurrar esse cliente por um caminho pré-desenhado não funciona mais.

Paralelamente, o marketing de interrupção (Push) está colapsando. O consumidor, saturado, bloqueia o que não é relevante. A nova lógica não é “disparar e rezar”, mas “escutar e assistir”. E para escutar em escala, você precisa de uma arquitetura de dados que capture sinais de contexto em tempo real, permitindo uma personalização que seja útil, não invasiva.

4. Dados como Infraestrutura: O Novo “Saneamento Básico”

Todos os pontos acima – IA Agêntica, B2A, Personalização Inteligente, convergem para um único gargalo: a maturidade de dados.

Durante o evento, ficou evidente que dados não são mais um diferencial competitivo “nice-to-have”; eles são infraestrutura comercial básica, como energia elétrica. No entanto, o cenário brasileiro ainda preocupa: a maioria das empresas patina na integração de sistemas legados e sofre com dados dispersos.

Não existe mágica. Para ter uma “Loja como Plataforma” ou uma experiência omnichannel fluida, é preciso arrumar a casa:

  1. Governança: Adequação à LGPD e ao novo Marco Legal da IA.
  2. Integração: Quebrar silos entre o e-commerce e a loja física.
  3. Qualidade: Garantir que a informação que alimenta a IA seja confiável.

O Que Fazer nos Próximos 90 Dias?

A mensagem final da NRF para a liderança é sobre pragmatismo. Voltar de Nova York com a cabeça cheia de ideias não paga a conta. O algoritmo do mercado já está escolhendo os vencedores.

A recomendação é clara: estabeleça um plano de execução imediata.

  • Audite sua infraestrutura de dados: Seus produtos possuem atributos estruturados para serem lidos por IAs de busca?
  • Inicie pilotos de IA com ROI definido: Foque em resolver dores operacionais específicas, não em “brinquedos” tecnológicos.
  • Repense suas métricas: A loja física não deve ser medida apenas por venda/m², mas pelo seu papel como hub logístico e de mídia.

A era da futurologia acabou. Agora, vence quem tiver os dados mais organizados e a capacidade de execução mais rápida.

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